23h46, uma terça-feira
por que isto existe
Para os dias que são seus.
Naquela noite ela estava sentada no chão, apagando o quinto app de ciclo, e disse — sem levantar os olhos —
“não pode existir um que não queira nada de mim?”
Cinco apps. Todos queriam algo em troca — uma conta, uma assinatura, os dias mais quietos dela embrulhados para o painel de um estranho. Ela não estava pedindo um app. Estava pedindo um lugar.
Então eu fiz um pra ela. Não tem porta para mais ninguém — sem conta, sem servidor, ninguém lendo por cima do ombro. Um diário que, por acaso, sabe a data.
“por que ‘Dew’?”
Por causa do que as manhãs fazem. Antes de alguém acordar, a grama guarda mil gotinhas — breves, sem foto, de ninguém. O mundo nunca pergunta à grama o que ela guarda. Eu queria que as manhãs dela guardassem uma coisa assim: quietamente dela, e que some no instante em que ela quiser.
É por isso que cada tela é desenhada assim — linhas tortas, uma flor como uma criança desenharia. Máquinas vigiam pessoas. Mãos seguram.
Isto foi um presente para uma pessoa só.
Pegue. Sempre ia ser seu também.
— A.
p.s. — a florzinha da tela inicial dela cresce como ela cresce. ela percebeu no nono dia.